quinta-feira, 30 de junho de 2011

Holanda II



  Enfim chegou a segunda-feira (20/06), o dia da minha entrevista na Universidade de Utrecht. A cidade é bem pertinho de Arnhem, meia-hora, e bem mais antiga: altos prédios e igrejas de séculos como X, IX, e coisas do tipo. Arnhem, pelo que entendi, foi basicamente destruída na Segunda Guerra, o grande orgulho deles é ser a cidade mais verde da Europa. Quando cheguei em Utrecht me perdi facilmente no labirinto que é essas cidades antigas. Depois de quase uma hora rodando feito um matuto – pelo menos conheci parte da cidade – acabei na biblioteca do curso de direito, onde um pessoal me ajudou a achar o escola de artes que foi onde a mulher disse que ficava a de música, no caso, o conservatório. O problema foi justamente isso! No Brasil, até onde sei, não temos curso superior no conservatório. Aqui é diferente, é justamente lá que rolam os cursos. O melhor de tudo: o conservatório é do lado da estação de trem! Bom, cheguei lá e senti até um climinha de Brasil, aquela velha universidade desorganizada. Quando cheguei pra entrevista os professores simplesmente não tinham ideia de quem eu era, meu portfólio não tinha chegado a eles. Bom, mostrei minhas músicas, batemos um lero e enrolei uns improvisos no piano mais ou menos como eles pediram. No final, aconteceu algo que eu até esperava: o fato de eu não ter uma graduação em composição requer um certo nivelamento no bacharelado deles, que pode durar até uns 3 anos. Espero que se eu escolha Utrecht eu consiga fazer em menos tempo pra poder entrar logo no mestrado!  

  Depois da entrevista encontrei com Mr. Horringa, que é o organizador do festival que irei participar na  República Tcheca. Ele é gente finíssima! Demos um leve passeio pela cidade, ele até dando uma de guia turística, e conversamos bastante sobre música e tudo mais. Nos encontraremos de novo no final de Julho, dessa vez para trabalharmos. 

  Bom acho que é isso até agora, vou parar porque já tô meio de saco cheio aqui no trem indo pra Bruxelas, ele é bem lento e fica parando. Quando eu chegar lá vou pegar o trem rápido pra Paris, daí vai ser mais relax. Hoje é a Fête de la Musique e mal posso esperar chegar por lá! Pelo Sport tudo!

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Holanda I

  No outro dia parti pra Holanda, uma viagem que começou de tarde e só terminou de noite: rolou avião, trem, tx e tudo mais. Uma dica: nunca conte com as máquinas de comprar bilhete nas estações de trem, já que pelo menos na Holanda elas só aceitam senhas de quatro dígitos, o que eles chamam de PIN code, enquanto que nossos cartões brasileiros, os internacionais, utilizam a nossa senha normal de seis dígitos. Depois de quebrar um pouco a cabeça vi que tinhas uns guichês de venda, daí comprei o bilhete. Outra dica: não conte mais com telefones públicos também! Quando cheguei em Arnhem, a cidade que fiquei hospedado maravilhosamente na casa de Martinha e Nol – Martinha é a filha de Leonardo, sócio de painho, que mora a uns 14 anos aqui na Holanda –, corri atrás de um orelhão pra ligar pra eles e simplesmente não consegui. Primeiro, porque é difícil de achar, segundo porque não tava aceitando moeda, terceiro porque não rolava o cartão e quarto porque é tudo escrito nessa língua louca deles que você não entende absolutamente nada. A sorte foi que Martinha tinha me dado o endereço deles, daí peguei um táxi. 

Big baby band.
  No domingo fomos ver uma big band de crianças, bom demais! Incrível como a educação musical funciona aqui, os pirralhas têm noção de afinação melhor que muitos músicos do Brasil! Um dos meninos era filho de uma paraibana amiga de Martinha que mora aqui há mais tempo ainda, gente fina o pessoal. No fim da tarde declarei independência e fui andar sozinho pela cidade depois de anotar o nome e número do ônibus pra chegar em casa – nunca tente decorar nomes em holandês, é impossível. Arnhem é bem pacata, tipo um Triunfo, eu acho, com pouca gente e pouco movimento. Comi um sanduba típico daqui, com um molho de “peanuts” meio doce, e continuei minha excursão pelas cervejas européias. Dessa vez eu cheguei a conclusão, depois confirmada por Mr. Horringa (eu falo quem ele é logo mais) de que as cervejas holandesas, assim como as espanholas, não são grande coisa, já as belgas...

Rango doce louco.
Língua loka.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Madrid II

  No outro dia Dudu chegou – o marido de Mara –, mas como ele está estudando pra defesa do mestrado acabou que ele ficou em casa durante o dia e eu e Mara fomos mais uma vez passear. Ah! Antes eu dormi a manhã inteira, claro! Parece pouca coisa mas essa diferença de fuso de 5h pesa, e as cervejas espanholas no mercado do dia anterior também! Enfim, nós tentamos visitar o Palácio Real, imaginei que veria a coleção de violinos do Rei, onde constam uns Stradivarius e outros instrumentos de grande valor. Inclusive é lá que se encontra o Messias, se não me engano, o violino mais sem preço da história do mundo que só os solistas mais virtuosos mestres jedi tocam raramente, quando o rei empresta. Quebramos a cara! Acho que o rei ia tomar uma com algum duque ou sei lá, daí o palácio tava fechado – na volta, antes de ir pra Recife, vou ver se dou uma passada por lá. 

"Puta, meu! Tá fechado, mano!"
  Na sequência pegamos o metrô, que por sinal é excelente em Madrid (até porque sempre tem várias mulheres bonitas) e fomos pro teatro onde assistimos um concerto da Orquestra Sinfônica de Madrid. O teatro é tipo 30% do que é a Sala São Paulo mas tá valendo, até porque comparar algo com a Sala São Paulo é complicado, já que ela determinou um padrão difícil de se ver até aqui na Europa! A orquestra se saiu muito bem, eles tocaram a Sinfonia Inacabada de Schubert e a nona de Bruckner. A primeira, mais famosa no repertório orquestral, eles tiraram de letra. Já Bruckner é complicado, pensei até que o próprio compositor podia não saber o que estava escrevendo na época, inclusive se trata de sua sinfonia inacabada também. O terceiro movimento, o “último”, ficou meio capenga, não sei se por falta de finalização de Bruckner ou porque a orquestra não estava à altura ou porque eu que não entendi nada. Depois fomos comer um rabo de touro e uma caña e pronto.

Esse era o assento mais em conta, hehe...
No intervalo: um champanhezinho pra chinfrar.
  Na sexta-feira eu e Mara tiramos o dia pra ir no Reina Sofia, Dudu foi jogar bola e ler algum livro de 9239 páginas. Engraçado como a impressão do museu mudou drasticamente depois de mais de 10 anos – fui nesse museu com painho e mainha quando era menor. Isso não quer dizer que agora passei 10 minutos na frente de cada quadro, mas uma coisa eu conclui de vez: Salvador Dalí é o cara! Sim, tem os Picassos lá, Guernica etc, mas pra mim, não sei porque, o doido de bigode é maior. Talvez porque gosto de coisas sem sentido, como os quadros dele, e também de não querer sempre buscar sentido nas coisas, talvez seja isso, sei lá! Ah! No caminho vimos também a estação onde teve o atentado, acompanhados de mais uma caña do Montadillos, um bar perfeito em Madrid que por 1 Euro você toma uma jarra de chope de 500ml e ainda ganha um sanduíche de mortadela! Pois é, é totalmente possível viajar pela Europa, pelo menos até agora na minha experiência, comendo por menos de 5, 6 Euros, sempre tem uns esquemas bons. Nesse dia tentamos emburacar no Conservatório de Madrid, que fica do lado do Reina Sofia, mas o segurança não deixou. De noite fomos mais uma vez pro centro e o resto esqueci.

Analisando uma obra revolucionária do museu.
 
Dudu apareceu na hora do brinde.

Madrid I

Pronto, galera, vou reproduzir aqui nesse blog um "diário" que venho escrevendo aqui no Velho Mundo sobre essa minha jornada de dois meses e mais um pouquinho. Não sei até que ponto vou ter saco de ficar escrevendo, mas vamos ver... Esse primeiro texto eu fiz quando tava vindo aqui pra Paris, onde já estou há quase uma semana.


  Vou aproveitar a empolgação desse início de viagem e o trem até Bruxelas – onde vou baldear pra Paris – pra escrever um pouco sobre a minha jornada no Velho Mundo. Então, faz mais ou menos uma semana que comecei essa viagem músico-estudo-turística nas “Zoropa”, primeiramente fiquei em Madrid na casa de Mara.

  Lá foi massa, no primeiro dia fomos logo no Santiago Bernabéu – pra quem não sabe é o estádio do Real Madrid – onde tem tipo um museu com várias taças e coisas da história do clube. Realmente eles são o maior clube do século, depois do Sport, claro! Muitas conquistas e história impressionante. Eu esperava um pouco mais do estádio, não achei essas coisas todas, até porque quando se fala dos grandes clubes europeus no Brasil a gente imagina arquibancadas de ouro e cascatas de champanhe nos banheiros. Mas, enfim, logicamente é um estádio muito à frente de tudo que eu já vi – tirando a Ilha, claro! Depois, eu e Mara – pra quem não sabe ela é minha prima/irmã Rubro-Negra, claro! Tá bom, vou parar com isso... – fomos para o centro da cidade, a parte antiga onde fica a prefeitura, bares, noite etc. 
Mara e as taças.
  Chegando lá a gente encontrou logo os doideras que ainda estão acampados lá naquela praça não sei qual, protestando contra o governo. A polícia fica o tempo todo “ozzyando” por lá e a turma lá sentada nas tendas e sem tomar banho. Até que que vi um certo movimento “político”, a turma panfletando e conversando bastante, mas a impressão é de ser um bando de gente que saiu do CAC pra fazer algum protesto sem real impacto. Claro que posso estar enganado, até porque não sei até onde está indo a repercussão desse movimento, mas senti ele um pouco morgado já. No final do dia fomos no mercado tomar umas brejas e foi isso. PELO SPORT TUDO!
Cervejinha no mercado.